Blogs sob ataque

Elton John nos bons tempos (para ele) em que não havia internet
Elton John e Andrew Keen não gostam de blogs. O primeiro dispensa apresentações, pelo menos para quem tem mais de 30 anos. O segundo é um historiador britânico. Keen reclama, em entrevista à Folha de S. Paulo de segunda-feira (para assinantes), da liberdade excessiva dos blogueiros e acha que eles querem substituir a mídia tradicional, como se esta fosse assim tão confiável. Elton John chega ao cúmulo de propor a extinção da internet, em reportagem da agência Ansa, reproduzida hoje pelo UOL Música. Na opinião do compositor e cantor, sem a rede - e sobretudo sem os blogs - o mundo e a música seriam melhores. A dele eu duvido. Elton John já compôs baladas memoráveis, mas há tempos não produz nada que preste. O historiador e o músico têm direito de não gostar do que lêem, vêem e ouvem na rede. Mas eu também não gosto do estado atual da política brasileira e, nem por isto, acho que o Congresso Nacional deva ser fechado. Keen soa meio picareta. Ele reclama agora, mas foi figura importante na primeira onda da internet, com o site de música Audiocafe.com e, pasmem, mantém um blog para vender seus livros. Sobre Elton John, não seria o caso de extingui-lo para ver se o mundo e a música melhoram?
De inimigos a parceiros
Sobre lendas e marcas
Ainda sobre a briga entre os ex-parceiros de New Order... Quando li a notícia do site da MTV, me deu uma preguiça enorme. Do alto dos meus 36 anos, imaginei mais uma polêmica vazia, que acaba quando um deles recebe um cheque polpudo para encerrar a briga ou, pior, numa reconciliação sobre o palco de algum evento beneficente do Bono Vox ou do Bob Geldof (aí, todos recebem seu cheque).
Não consigo esquecer, no entanto, minha tristeza, 20 anos atrás, quando fiquei sabendo da separação dos Smiths. Não parecia se tratar do mesmo caso, na época ninguém disse estar “aberto a negociações”, como afirma Peter Hook agora. Mas me senti um pouco traído. É difícil, sobretudo para um fã adolescente, aceitar que rock é trabalho e negócio também, e não só arte e diversão. Os caras salvam minha vida e, depois, acabam com tudo por causa de uma briguinha?
Os fãs alimentam a marca, fazem o negócio crescer e prosperar, mas também constroem a lenda. E, do ponto de vista da lenda, o fim do New Order, no tribunal, na delegacia ou numa mesa de negociações, pode ser bem mais triste que o fim do antepassado Joy Division, que acabou quando Ian Curtis tirou a própria vida, em 1980.
Então, fica combinado que acabar assim é traição, sim. Nenhum fã merece isto de seus ídolos. Mas também é um rito de passagem. Os ídolos são heróis em cima do palco, nas faixas de um disco, nas cenas de um clipe, mas... são humanos, vejam só. E podem ser perfeitos idiotas fora dos holofotes, como qualquer um de nós.
O que o tempo ensina à gente é a difícil operação de separar arte e artista. Nem sempre consigo, devo admitir. É bem mais fácil quando o artista morre cedo, antes de ficar velho, chato, careta e ultrapassado. Talvez a morte tenha salvado Ian Curtis, Renato Russo, Cazuza, Kurt Cobain, Sid Vicious e tantos outros. Talvez a permanência seja cruel com Roberto Carlos, Paul McCartney e até com Iggy Pop (as exceções à regra parecem ser Neil Young e David Bowie, que não conseguem deixar de ser bacanas).
Arte longa, vida breve... Seria bem melhor que Hook, Sumner e Morris respeitassem a lenda New Order. Mas nem esses três idiotas conseguirão acabar com a magia de “Blue Monday” e “Perfect Kiss”.
No tribunal

É onde parece que vai terminar (ou não) a carreira de uma das bandas mais fundamentais das últimas três décadas, o New Order. Pelo menos é o que ameaça o baixista Peter Hook, diante das declarações do vocalista e tecladista Bernard Sumner e do baterista Stephen Morris. Os dois negaram, recentemente, que a saída de Hook signifique o fim do New Order, conforme o baixista havia declarado. E ele agora ameaça levar o caso à Justiça, se os colegas insistirem em seguir com a banda. Está no site da MTV Brasil. O que mais chama a atenção na notícia é que Hook diz estar, segundo o repórter, “aberto a negociações”. Em outras palavras, quanto vale um terço da marca New Order?
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